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Renato,
Namoro
um rapaz há três anos e meio, mas há
quatro meses desmanchamos
o namoro, porque não estava legal. Há três
semanas voltamos, mas sinto que
ele não é mais o mesmo: está distante,
calado, deprimido... Ele, inclusive,
já esteve em tratamento, pois sofre de depressão
crônica. Ele admite que
tem problemas, mas diz que ninguém pode ajudá-lo,
nem mesmo eu. Anda apático,
isolado do mundo, parece nem notar que eu existo. Às
vezes sinto que devo
ajudá-lo, já que o amo muito, apesar de tudo;
outras vezes desanimo, pois
ele não permite aproximação. Não
sei o que fazer pra fazê-lo enxergar que
temos tudo pra ser felizes. Me dê uma luz!
Jô,
do Fazendinha
Bem, Jô, a atitude que se espera de alguém
que ama uma pessoa com problemas
é de ajuda e solidariedade. Afinal, ficarmos com
o outro apenas enquanto
o outro é perfeito e só nos dá alegrias,
é muito cômodo. Por definição,
amor
é estar com alguém na hora boa e também
na hora ruim. De maneira que você
deve, sem dúvida, apoiar seu namorado e tentar fazê-lo
sair desse buraco
em que está metido. Agora, veja bem: pra tudo há
um limite. Se, mesmo depois
de tentar ajudá-lo de todas as formas, ele mantiver
essa barreira entre vocês
dois, talvez seja hora de reavaliar a sua atitude. Ajudar
quem quer ser ajudado
é uma coisa, mas impor nosso auxílio a quem
acha que não precisa dele já
é forçação de barra. Insista
até onde for sensato insistir, mas perceba o
momento de parar. Ou, do contrário, em vez de você
tirá-lo do buraco, ele
é que vai acabar carregando você pro abismo.
Lembre-se, Jô: é impossível
ajudar a quem não quer ser ajudado.
Pense nisso,
e boa sorte!
2001
© Renato Gaúcho
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